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Profissão de Fé

Os doze artigos do Credo Apostólico explicados à luz do Catecismo da Igreja Católica.

O Credo — também chamado de Símbolo dos Apóstolos — é o resumo mais antigo e venerável da fé cristã. Desde os primeiros séculos, os cristãos recitam estas palavras como profissão pública de sua fé no Deus Trino: Pai, Filho e Espírito Santo.

Cada artigo do Credo é uma janela para um mistério profundo da fé. Não são meras fórmulas a serem decoradas, mas verdades vivas que transformam a maneira como vemos Deus, o mundo e a nós mesmos.

I. Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra

O primeiro artigo do Credo é o alicerce de toda a fé cristã. Ao dizer «Creio em Deus», o cristão não faz apenas uma afirmação intelectual — ele entrega toda a sua existência a um Deus que é Pessoa, que é Pai, e que por amor criou todas as coisas. O nome «Pai» revela que Deus não é uma força impessoal ou uma energia cósmica, mas alguém que se relaciona conosco com ternura, cuidado e misericórdia infinita. Jesus nos ensinou a chamá-lo de «Abbá» — Papai —, convidando-nos a uma intimidade que nenhuma religião jamais ousou propor.

A onipotência de Deus não é a de um tirano que impõe sua vontade pela força. Trata-se de uma onipotência amorosa, que se manifesta sobretudo na providência: Deus sustenta a cada instante toda a criação, conduz a história com sabedoria e cuida de cada criatura como se fosse a única. Mesmo diante do mal e do sofrimento — que Ele permite sem jamais causar —, a sua providência tira de cada situação um bem maior, ainda que muitas vezes só o compreendamos na eternidade.

Dizer que Deus é «Criador do Céu e da Terra» significa que tudo o que existe — visível e invisível, a matéria e os anjos, o cosmos e a alma humana — procede exclusivamente de Deus, por um ato livre e gratuito de amor. A criação não é fruto do acaso ou da necessidade, mas um dom. O mundo tem um sentido porque foi pensado e querido por uma Inteligência amorosa, e cada ser humano traz em si a imagem e semelhança desse Criador.

«Creio em Deus»: esta primeira afirmação da profissão de fé é também a mais fundamental.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §198-231, §279-324 — vatican.va ↗

II. E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor

O segundo artigo nos conduz ao coração da fé: Jesus de Nazaré não é apenas um grande profeta, um mestre de moral ou um líder religioso entre tantos outros. Ele é o Filho Unigênito de Deus, gerado desde toda a eternidade, da mesma substância do Pai. Esta é a verdade que distingue o cristianismo de qualquer outra religião ou filosofia. Jesus não se tornou Filho de Deus por mérito ou adoção — Ele o é desde sempre, antes da criação do mundo, numa relação eterna de amor com o Pai.

O nome «Jesus» não foi escolhido ao acaso: em hebraico, Yeshua significa «Deus salva». O próprio nome carrega a missão: Ele veio para salvar o seu povo dos seus pecados. Já o título «Cristo» — do grego Christós, tradução do hebraico Mashiach (Messias) — significa «Ungido». Jesus é o Ungido por excelência: aquele em quem convergem as três unções do Antigo Testamento — rei, sacerdote e profeta. Nele se cumprem todas as promessas feitas a Abraão, a Davi e a todo o povo de Israel.

Chamar Jesus de «Senhor» (Kyrios, em grego) é reconhecer nele a divindade plena. No Antigo Testamento, «Senhor» era o título reservado exclusivamente a Deus (YHWH). Os primeiros cristãos, ao proclamarem «Jesus é o Senhor», estavam confessando uma verdade revolucionária: este homem de Nazaré, crucificado sob Pôncio Pilatos, é o próprio Deus feito carne. São José, como pai adotivo, foi o primeiro a acolher este mistério no silêncio da fé.

«Jesus» significa em hebraico: «Deus salva».

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §422-451 — vatican.va ↗

III. Concebido pelo Espírito Santo, nascido da Virgem Maria

O terceiro artigo do Credo professa o mistério mais espantoso da história: a Encarnação. O Deus eterno e infinito, sem deixar de ser Deus, assumiu a natureza humana no seio da Virgem Maria. Não se trata de uma aparência ou de uma metáfora: o Verbo se fez verdadeiramente carne, com um corpo real, uma alma humana, uma história concreta. O Criador entrou na criação; o Infinito se fez pequeno; o Todo-Poderoso se fez vulnerável — tudo por amor a nós e para a nossa salvação.

A concepção de Jesus foi obra do Espírito Santo — não por uma relação carnal, mas por um ato criador divino. Maria concebeu virginalmente, sem intervenção de varão, mantendo intacta a sua virgindade antes, durante e depois do parto. Este prodígio não é um detalhe menor: ele revela que a iniciativa da salvação é inteiramente de Deus. A humanidade não se salvou por seus próprios esforços; foi Deus quem desceu até nós. Maria, ao pronunciar o seu «Fiat» — «Faça-se em mim segundo a tua palavra» —, tornou-se a nova Eva, cooperando livremente com o plano divino.

A Igreja honra Maria como Theotokos — Mãe de Deus —, um título definido solenemente no Concílio de Éfeso (431 d.C.). Este título não exalta Maria acima de Deus, mas protege a verdade sobre Cristo: aquele que nasceu de Maria é, desde o primeiro instante da concepção, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, uma só Pessoa divina em duas naturezas. E neste mistério, São José ocupa um lugar singular: ele foi o esposo virginal de Maria e o guardião fiel do Verbo encarnado, exercendo a paternidade sobre Jesus por vontade expressa de Deus.

O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §456-511 — vatican.va ↗

IV. Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado

O Credo ancora a Paixão de Cristo numa coordenada histórica precisa — «sob Pôncio Pilatos» — para que ninguém pense que se trata de um mito ou de uma alegoria. Jesus sofreu realmente. Ele foi flagelado, coroado de espinhos, pregado numa cruz e morreu. O Deus imortal experimentou a dor humana em toda a sua crueza. Este é o escândalo e a glória da fé cristã: o Criador do universo aceitou ser torturado e morto pelas suas próprias criaturas.

A morte de Jesus na cruz não foi um acidente de percurso, nem uma tragédia inesperada que tomou Deus de surpresa. Desde toda a eternidade, o Pai sabia que o Filho se entregaria livremente pela salvação do mundo. A cruz é o lugar onde se encontram a máxima maldade humana e o máximo amor divino. Os pecados de toda a humanidade — passados, presentes e futuros — foram carregados por Cristo no madeiro. Ele, o Inocente, fez-se pecado por nós, para que nós nos tornássemos justiça de Deus (cf. 2 Cor 5,21).

O sepultamento de Jesus confirma a realidade da sua morte: Ele não desmaiou, não fingiu morrer. O seu corpo sem vida foi deposto da cruz, envolvido em panos e colocado num sepulcro novo. Mas esse sepulcro fechado com uma pedra não seria a última palavra. A morte de Cristo é o preço do nosso resgate — o sacrifício perfeito que nenhum cordeiro do Antigo Testamento jamais poderia realizar. E ao contemplarmos a cruz, somos convidados não ao desespero, mas à gratidão: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos» (Jo 15,13).

A morte violenta de Jesus não foi fruto do acaso.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §571-630 — vatican.va ↗

V. Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia

Após a sua morte na cruz, a alma de Cristo — unida à sua divindade — desceu à mansão dos mortos (em latim, ad inferos). Não se trata do inferno dos condenados, mas do sheol ou limbo dos justos: o lugar onde as almas dos que morreram antes de Cristo aguardavam a redenção. Ali estavam Adão e Eva, Abraão, Moisés, Davi, os profetas e todos os justos do Antigo Testamento. Cristo desceu até eles como vencedor, levando a luz da salvação às profundezas mais remotas da condição humana. Nenhum abismo está fora do alcance do seu amor.

Ao terceiro dia — contando à maneira judaica, do fim da tarde de sexta-feira ao amanhecer do domingo —, Jesus ressuscitou dos mortos. A Ressurreição não é a reanimação de um cadáver, como a de Lázaro, que voltou à vida mortal e haveria de morrer novamente. A Ressurreição de Cristo é a entrada definitiva da sua humanidade na glória de Deus: o seu corpo, embora real e tangível, está agora transfigurado, livre das limitações do tempo e do espaço. Ele come com os discípulos, deixa-se tocar por Tomé, mas também atravessa portas fechadas e desaparece aos olhos dos peregrinos de Emaús.

A Ressurreição é o fundamento de toda a fé cristã. Como escreveu São Paulo com clareza implacável: «Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação, e vazia também a vossa fé» (1 Cor 15,14). Se Jesus permanecesse no sepulcro, seria apenas mais um profeta morto numa longa lista de profetas mortos. Mas Ele vive — e porque Ele vive, nós também viveremos. A Ressurreição é a garantia da nossa própria ressurreição e a prova definitiva de que o amor é mais forte do que a morte.

«Se Cristo não ressuscitou, vazia é a nossa pregação» (1 Cor 15,14).

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §631-658 — vatican.va ↗

VI. Subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai

Quarenta dias após a Ressurreição, Jesus ascendeu ao Céu na presença dos seus discípulos. A Ascensão não significa que Cristo «foi embora» para um lugar distante e inacessível. Significa, antes, que a sua humanidade glorificada — o mesmo corpo que nasceu de Maria, que trabalhou na oficina de José, que foi pregado na cruz — entrou definitiva e irreversivelmente na glória do Pai. O Céu não é um espaço geográfico acima das nuvens, mas a plenitude da comunhão com Deus.

A expressão «está sentado à direita de Deus Pai» é uma linguagem simbólica de extraordinária riqueza. No mundo antigo, sentar-se à direita do rei significava partilhar a sua autoridade e o seu poder. Aplicada a Cristo, esta imagem afirma que Jesus, também na sua humanidade, exerce agora a soberania universal sobre toda a criação. Ele é o Senhor da história, o Rei do universo — não apesar de ter sido crucificado, mas precisamente porque foi obediente até a morte de cruz (cf. Fl 2,8-9).

A Ascensão não é uma despedida triste, mas uma promessa. Jesus não deixou os seus discípulos órfãos. Pelo contrário, a sua presença tornou-se ainda mais universal: antes da Ascensão, Ele estava limitado a um lugar e a um tempo; agora, pelo Espírito Santo, Ele está presente em toda a parte, em todo o tempo, em cada tabernáculo, em cada coração que o acolhe. E a promessa dos anjos no monte das Oliveiras permanece viva: «Esse Jesus, que de entre vós foi elevado ao Céu, virá da mesma forma como o vistes partir» (At 1,11).

A última aparição de Jesus termina com a entrada irreversível da sua humanidade na glória divina.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §659-667 — vatican.va ↗

VII. De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos

A fé cristã professa que a história humana não é um ciclo sem fim nem uma marcha cega rumo ao nada. Ela tem um destino, um ponto de chegada: a segunda vinda de Cristo em glória. No fim dos tempos, Jesus voltará — não mais na humildade de Belém, mas na majestade do Juiz universal. Todo olho o verá, e diante dele serão reunidas todas as nações, todos os povos, todos os seres humanos que já viveram sobre a terra.

O juízo de Cristo não é a vingança de um déspota, mas o triunfo definitivo da verdade e da justiça. Cada vida será iluminada pela luz de Deus: toda injustiça será reparada, toda verdade oculta será revelada, todo bem ignorado será reconhecido. Os que acolheram o amor de Deus e o praticaram — muitas vezes sem sequer saber que serviam a Cristo nos pobres, nos doentes e nos prisioneiros — ouvirão as palavras: «Vinde, benditos de meu Pai» (Mt 25,34). Os que recusaram obstinadamente o amor ouvirão a palavra mais terrível do Evangelho: «Afastai-vos de mim» (Mt 25,41).

A doutrina do juízo final não existe para nos aterrorizar, mas para nos despertar. Ela nos lembra que as nossas escolhas têm peso eterno, que a vida não é um ensaio sem consequências, e que cada ato de amor ou de maldade tem repercussão para além do tempo. Ao mesmo tempo, esta verdade é fonte de esperança: o mal não terá a última palavra. A injustiça que tantas vezes parece triunfar neste mundo será definitivamente vencida. Cristo, o Juiz, é o mesmo Jesus que morreu por nós na cruz — e o seu julgamento será, antes de tudo, um ato de amor.

No dia do Juízo, Cristo virá na glória para levar a cabo o triunfo definitivo do bem sobre o mal.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §668-682 — vatican.va ↗

VIII. Creio no Espírito Santo

O Espírito Santo não é uma força impessoal, uma energia vaga ou um mero símbolo poético. Ele é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade — tão Deus quanto o Pai e o Filho, coeterno, consubstancial, igualmente digno de adoração e glória. Ele procede do Pai e do Filho (Filioque), e é o vínculo vivo de amor entre ambos. Se o Pai é aquele que ama e o Filho é o amado, o Espírito Santo é o próprio Amor em pessoa, a comunhão subsistente que une o Pai ao Filho desde toda a eternidade.

Na história da salvação, o Espírito Santo é o grande protagonista oculto. Foi Ele quem inspirou os profetas, quem cobriu Maria com a sua sombra na Encarnação, quem ungiu Jesus no batismo do Jordão, quem o conduziu ao deserto e o susteve na agonia do Getsêmani. No dia de Pentecostes, Ele desceu sobre os Apóstolos em forma de línguas de fogo, transformando pescadores tímidos em pregadores intrépidos e dando à luz a Igreja. Desde então, Ele age incessantemente: nos sacramentos, na Escritura, na oração, na vida dos santos.

Ninguém pode ter fé sem o Espírito Santo. Como ensina São Paulo: «Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser no Espírito Santo» (1 Cor 12,3). É Ele quem abre os nossos olhos para reconhecer Cristo, quem aquece o nosso coração para amá-lo, quem nos dá força para segui-lo. Os seus dons — sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, piedade e temor de Deus — são as ferramentas com que Ele esculpe em nós a imagem de Cristo. Sem o Espírito, a vida cristã seria uma obrigação insuportável; com Ele, torna-se uma aventura de liberdade e alegria.

«Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser no Espírito Santo» (1 Cor 12,3).

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §683-747 — vatican.va ↗

IX. Na Santa Igreja Católica

A Igreja não é uma organização meramente humana, como um partido político ou uma associação filantrópica. Ela é o Corpo Místico de Cristo — a comunidade dos batizados que, animados pelo Espírito Santo, continuam no mundo a missão de Jesus: anunciar o Evangelho, celebrar os sacramentos e servir os mais pobres. A Igreja é santa não porque os seus membros sejam impecáveis — a história prova amplamente o contrário —, mas porque o seu Fundador é santo, os meios que ela oferece (sacramentos, Palavra, oração) são santos, e o Espírito que a anima é o próprio Espírito de Deus.

Quatro notas identificam a verdadeira Igreja de Cristo: ela é una, santa, católica e apostólica. Una, porque há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Santa, porque é consagrada por Deus. Católica — isto é, universal —, porque a sua missão se estende a todos os povos, culturas e épocas, sem distinção de raça, língua ou condição social. E apostólica, porque foi edificada sobre o fundamento dos Apóstolos e mantém, por uma cadeia ininterrupta de sucessão, a mesma fé que Pedro, Paulo e os Doze receberam de Cristo.

O Catecismo ensina que a Igreja é «de certo modo o sacramento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano». Isto significa que ela é sinal e instrumento de algo muito maior do que ela mesma: a comunhão entre Deus e a humanidade. Pertencer à Igreja não é um formalismo burocrático, mas a inserção viva num organismo sobrenatural onde Cristo é a Cabeça e todos os batizados são membros. E assim como um membro do corpo não pode viver separado do corpo, o cristão não pode viver plenamente a sua fé isolado da comunidade eclesial.

A Igreja é, em Cristo, de certo modo o sacramento da íntima união com Deus.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §748-870 — vatican.va ↗

X. Na comunhão dos Santos

A comunhão dos santos é uma das verdades mais consoladoras da fé católica. Ela significa que todos os membros da Igreja — os que peregrinam na terra, os que se purificam no purgatório e os que já gozam da glória do Céu — estão unidos entre si por laços invisíveis mas reais de caridade. A morte não rompe esses laços; pelo contrário, os santos no Céu intercedem por nós com mais eficácia do que quando estavam na terra, e as nossas orações podem aliviar o sofrimento das almas do purgatório.

Esta comunhão não se limita à oração: ela abrange todos os bens espirituais. Os méritos de Cristo, de Maria e dos santos formam um tesouro inesgotável do qual toda a Igreja se beneficia. As boas obras de um cristão humilde e desconhecido no interior do Brasil beneficiam misteriosamente a Igreja inteira — assim como o pecado de um membro fere todo o Corpo. Nenhum cristão é uma ilha: estamos todos ligados, para o bem e para o mal, numa solidariedade sobrenatural que ultrapassa qualquer fronteira de tempo e espaço.

São José ocupa um lugar especial nesta comunhão dos santos. Como patrono da Igreja universal, declarado pelo Papa Pio IX em 1870, ele intercede por todos os fiéis com a autoridade que lhe vem de ter sido o pai terreno de Jesus e o esposo de Maria. A sua intercessão é poderosíssima — não por algum poder mágico, mas porque ele viveu a mais íntima proximidade possível com o Autor da graça. Invocar os santos não é idolatria; é reconhecer que a família de Deus é uma família unida, onde os membros mais próximos de Deus nos ajudam a chegar até Ele.

Como todos os fiéis formam um só corpo, o bem de uns é comunicado aos outros.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §946-962 — vatican.va ↗

XI. Na remissão dos pecados

«Creio na remissão dos pecados» — poucas palavras do Credo encerram uma verdade tão libertadora. O pecado é a realidade mais universal da experiência humana: todos pecamos, todos falhamos, todos carregamos feridas e culpas. Mas a mensagem cristã não começa pelo pecado; começa pelo perdão. Deus não nos olha primeiro como pecadores, mas como filhos amados que Ele quer restaurar. A remissão dos pecados não é uma concessão relutante de um Deus severo, mas o transbordamento natural de um amor que é mais forte do que toda a maldade humana.

O Credo liga a remissão dos pecados à profissão de fé no Espírito Santo — e com razão. É o Espírito Santo quem aplica aos fiéis os frutos da redenção conquistada por Cristo na cruz. Ele o faz, de modo singular, através de dois sacramentos: o Batismo, que apaga o pecado original e todos os pecados pessoais, tornando o batizado uma criatura nova; e a Penitência (ou Confissão), que restaura a graça perdida pelo pecado cometido após o Batismo. A Confissão é, na verdade, um segundo Batismo — um Batismo laborioso, como diziam os Padres da Igreja, mas igualmente eficaz.

A misericórdia de Deus não tem limites — mas exige da nossa parte uma condição: o arrependimento sincero. Deus não nos força a ser perdoados; Ele respeita a nossa liberdade. Quem se arrepende de coração, por maior que tenha sido o seu pecado, encontra em Deus um Pai que corre ao seu encontro, como na parábola do filho pródigo (cf. Lc 15,11-32). Não existe pecado imperdoável para quem se arrepende. Esta certeza deveria encher o coração de cada cristão de uma alegria incontida: não importa o que fizemos ou deixamos de fazer, o perdão está ao alcance de uma confissão humilde e sincera.

O Credo liga a «remissão dos pecados» à profissão de fé no Espírito Santo.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §976-987 — vatican.va ↗

XII. Na ressurreição da carne e na vida eterna

O último artigo do Credo é também o mais audacioso. A fé cristã não promete apenas a sobrevivência da alma após a morte — isso muitas religiões e filosofias já propunham. Ela professa algo radicalmente novo: a ressurreição da carne. No fim dos tempos, Deus reunirá cada alma ao seu próprio corpo, transformado e glorificado à semelhança do corpo ressuscitado de Cristo. Não se trata de uma metáfora nem de um modo de falar: o mesmo corpo que viveu, amou, sofreu e morreu será ressuscitado — não para a vida mortal de antes, mas para uma vida nova e eterna.

Esta verdade revela o valor infinito que Deus atribui ao corpo humano. O cristianismo nunca desprezou a matéria, nunca tratou o corpo como uma prisão da alma ou um mal a ser superado. O corpo é criação de Deus, templo do Espírito Santo, destinado à glória. Por isso a Igreja sempre tratou os corpos dos defuntos com reverência — porque crê que eles ressuscitarão. A Ressurreição da carne é a resposta definitiva de Deus à morte: ela será destruída, aniquilada, vencida para sempre. «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1 Cor 15,55).

E assim o Credo termina com a palavra mais esperançosa de toda a língua humana: «vida eterna». A vida eterna não é a mera continuação indefinida da existência terrena — seria antes um tédio interminável. É a participação plena e definitiva na vida de Deus: ver Deus face a face, amá-lo sem medida, ser amado sem fim, na companhia de Maria, de São José, dos anjos e de todos os santos. É a realização de todo desejo, a saciedade de toda fome, a resposta a toda pergunta. É aquilo que «o olho não viu, o ouvido não ouviu, e o coração do homem jamais imaginou» (1 Cor 2,9). É para isto que fomos criados. É para isto que Cristo morreu e ressuscitou. É para isto que a Igreja existe. Amém.

Cremos firmemente que, do mesmo modo que Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos, os justos viverão para sempre com Cristo.

Fonte: Catecismo da Igreja Católica, §988-1065 — vatican.va ↗