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IX Estação

Jesus cai pela terceira vez

"Eu sou um verme e não um homem, opróbrio dos homens e desprezado pelo povo" (Sl 22,7)

Adoramos-vos, ó Cristo, e vos bendizemos

R. Porque pela vossa santa cruz remistes o mundo.

Leitura Bíblica

"Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas chagas fomos sarados." (Is 53,5)

Meditação com São José

Esta é a queda mais devastadora. Jesus mal consegue se levantar. O corpo, já exausto além dos limites humanos, flagelado, coroado de espinhos, esvaído de sangue, recusa-se a obedecer. E ainda assim, Jesus se levantará. São José contempla este momento com o coração partido, e uma memória atravessa sua alma de pai: ele viu aquelas pernas bambas dando os primeiros passos em Nazaré. Viu as mesmas mãos que hoje se aferram à pedra do chão de Jerusalém, pequeninas e rechonchudas, se agarrando ao seu dedo enquanto o menino deus aprendia a equilibrar-se no mundo que Ele próprio havia criado.

São José que firmou os pés inseguros do menino Jesus, que o ergueu quando tropeçava nos degraus da sinagoga, que o ensinou a recuperar o equilíbrio na carpintaria — esse mesmo pai contempla agora o colapso definitivo do corpo sagrado que ele havia cuidado com tanto amor. Mas ele também sabe, com a claridade da fé, que esta queda não é fraqueza do amor: é a plenitude do amor. Somente um amor absoluto pode dar-se de modo absoluto.

A terceira queda carrega em si toda a totalidade do pecado humano acumulado através dos séculos. Não é apenas o peso físico da cruz de madeira — é o peso metafísico de toda a ingratidão, violência, impureza, orgulho, inveja e crueldade que a humanidade gerou desde Adão. Jesus carrega tudo isso, e cai sob o peso de tudo isso, para que nós — cada um de nós — possamos nos levantar. Cada queda de Jesus é uma mão estendida para erguer a humanidade caída.

São José, que nunca mediu seu amor pela Sagrada Família, reconhece nesta terceira queda a medida sem medida do amor divino. Aquele que ensinou Jesus a trabalhar a madeira vê agora que toda a madeira que dois artesãos de Nazaré trabalharam juntos era apenas uma sombra, uma preparação para este momento em que o Filho de Deus se entrega totalmente ao peso do amor redentor. A carpintaria de Nazaré tinha como destino o Calvário — e ambos os lugares são sagrados pelo amor que os une.

Reflexão

Diante desta terceira queda, a consciência de nossa cumplicidade no sofrimento de Cristo deve nos golpear com toda a sua força. Não foram apenas os soldados romanos, não foi apenas a multidão enfurecida — foram nossos pecados, cada um deles, que contribuíram para o peso que esmagou Jesus contra o chão de Jerusalém. Esta constatação não deve nos levar ao desespero, mas à gratidão e ao arrependimento.

São José intercede por nós para que a contemplação deste mistério nos transforme: que o peso da culpa se converta em peso de amor, que o arrependimento se converta em entrega, que a consciência de nosso pecado se converta em consciência da misericórdia de Deus que é sempre maior. A terceira queda de Jesus é o abismo da humilhação divina — e é exatamente nesse abismo que Deus revela a imensidão de seu amor por cada um de nós.

Oração

Ó Jesus, que caístes pela terceira vez sob o peso de todos os nossos pecados, recebei nosso arrependimento sincero. Sabemos que fomos nós quem contribuímos para cada uma de vossas quedas. Sabemos que vosso amor foi mais forte do que todo o peso do nosso pecado. Obrigado por vos levantardes mais uma vez por nós.

São José, que contemplastes com dor de pai esta terceira queda do Filho que criastes, intercedei por nós para que façamos atos de reparação sinceros, unindo nossas pequenas mortificações ao vosso sofrimento. Que a memória desta estação nos preserve do pecado e nos encha de gratidão pelo amor infinito de Cristo.

São José, pai de reparação e de amor, rogai por nós! Amém.

Propósito

Hoje farei um ato de reparação, oferecendo algum pequeno sacrifício voluntário em união com o sofrimento de Cristo, como sinal concreto de meu amor e arrependimento pelos pecados que contribuíram para suas quedas.

Pai nosso, Ave Maria, Glória ao Pai

V. Tende piedade de nós, Senhor.
R. Tende piedade de nós.